O Instituto Anjos Digitais (IAD) promove, em parceria com o Movimento de Mulheres das Ilhas de Belém (MMIB), o curso Letramento Digital 5.0: Mulheres das Águas, iniciativa que vem, ao longo dos últimos meses, fortalecendo o empoderamento feminino, a inclusão digital e o protagonismo socioterritorial de mulheres ribeirinhas na Ilha de Cotijuba, em Belém/PA.
A ação integra um percurso formativo em andamento, e atualmente as participantes estão desenvolvendo o módulo Aprendizagem em Informática, que dá continuidade às atividades do projeto com foco na apropriação crítica e segura das Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs).
O projeto conta com importantes colaborações, como o Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict), a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), a Universidade da Amazônia (Unama), os Programas de Pós-Graduação em Ciência da Informação da UFAL e UFPA, SERPRO, Brasilcap e Mobilitelecom. Fundamentado nos princípios da Educação 5.0, o curso conecta tecnologia, saberes locais e desenvolvimento humano.
A formação é realizada presencialmente no espaço do MMIB e atende mulheres entre 18 e 63 anos, que atuam em atividades como artesanato, agricultura, pesca e comércio local.
Tecnologia como ferramenta de empoderamento
A proposta pedagógica vai além da formação técnica. As participantes são convidadas a refletir criticamente sobre o uso das tecnologias no cotidiano, desenvolvendo habilidades de análise, questionamento e tomada de decisões. A formação estimula o despertar para a tecnologia de forma ética, segura e responsável, contribuindo para a consolidação da cidadania digital.
Essa perspectiva, alinhada ao conceito de letramento digital 5.0, promove não apenas a apropriação de ferramentas, mas a construção de um pensamento autônomo, criativo e transformador. Relatos compartilhados em rodas de conversa revelam que, à medida que dominam as tecnologias, as mulheres passam a se sentir mais confiantes, autônomas e protagonistas em seus próprios territórios. O empoderamento se manifesta não apenas na aquisição de novas habilidades, mas no fortalecimento da autoestima e no reconhecimento do seu potencial.
Uma metodologia que nasce do território
O curso segue uma metodologia construída a partir da escuta ativa e do diagnóstico participativo, respeitando as singularidades do território e das mulheres envolvidas. A estrutura pedagógica é composta por cinco etapas — conhecer, conceber, desenvolver, compartilhar e avaliar — que integram teoria e prática, com foco no letramento digital crítico e emancipador.
A formação propõe uma epistemologia das práticas, onde o conhecimento emerge das experiências, saberes e vivências das próprias participantes. Em vez de impor conteúdos prontos, a metodologia valoriza a construção coletiva e a troca de saberes como elementos centrais do processo educativo.
Cotijuba como território estratégico de inclusão
Com rica biodiversidade e diversidade cultural, a Ilha de Cotijuba representa um território estratégico para ações de letramento e inclusão digital. Ao mesmo tempo em que preserva tradições locais, a ilha enfrenta desafios históricos relacionados à conectividade e ao acesso a tecnologias, conforme evidenciado no Boletim da Sustentabilidade da Ilha de Cotijuba, elaborado pela FAPESPA (2024).
O projeto Mulheres das Águas surge como uma resposta concreta a essas desigualdades, promovendo o acesso qualificado à informação, à comunicação digital e à construção de redes colaborativas a partir do território.
Mais que um curso: uma rede de transformação
Mais do que uma formação, o Letramento Digital 5.0: Mulheres das Águas é um movimento formativo e político que reafirma o compromisso do IAD e das instituições parceiras com os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), especialmente no que se refere à igualdade de gênero, à educação de qualidade e à redução das desigualdades sociais.
Empoderadas digitalmente, as mulheres da Ilha de Cotijuba seguem protagonizando histórias de superação, pertencimento e inovação social, demonstrando que a inclusão digital é, acima de tudo, uma ferramenta de transformação coletiva.