Iniciativa do Instituto Anjos Digitais em parceria com a Ufal promove inclusão e letramento digital para comunidades tradicionais de terreiro
Abidias Martins – Jornalista
Nos dias 13 e 14 de maio, a comunidade do Pai Wagner, localizada no Conjunto Eustáquio Gomes, no bairro Cidade Universitária, em Maceió, tornou-se a primeira comunidade do Brasil a receber o Projeto “Terreiros Digitais”. A iniciativa é realizada pelo Instituto Anjos Digitais em parceria com a Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e tem como objetivo promover inclusão e letramento digital para comunidades tradicionais de terreiro.
O projeto busca conectar os saberes tradicionais dessas comunidades à infraestrutura virtual, ampliando o acesso às ferramentas tecnológicas e fortalecendo ações de combate ao racismo e à intolerância religiosa.
Durante os dois dias de capacitação, os participantes tiveram acesso a conteúdos sobre ferramentas digitais, identidade digital, fotografia, vídeo, comunicação e economia digital. Participaram da ação alunos, professores, representantes acadêmicos e lideranças comunitárias.

A professora Luciana Salvatore destacou a importância da comunicação por imagem durante as atividades realizadas com os participantes.
“Eu trouxe pra eles noções básicas de fotografia, vídeo e muito mais sobre imagem. Imagem é uma forma de comunicação muito poderosa, seja ela a fotografia ou seja amplamente utilizada para falar ao telefone com filhos, netos. O pessoal aqui do terreiro foi muito receptivo e todos aprenderam bastante”, afirmou.
Já o professor José Gilson explicou que o projeto também trabalha o conceito de economia digital como ferramenta de fortalecimento financeiro das comunidades.
“A gente está trabalhando agora com um conceito de economia digital. Estamos preparando todas as comunidades e, em todos os territórios, trabalhando essa economia digital para que eles consigam potencializar os negócios e ter um retorno financeiro através da capacitação”, destacou.
Entre os participantes, a experiência também foi marcada pela descoberta de novas possibilidades no ambiente digital. Alan Delon ressaltou que a formação trouxe uma nova visão sobre o uso da tecnologia.
“Tinha coisas que eu pensava que sabia. Quando cheguei aqui, foi como se eu tivesse rejuvenescido nessa questão da digitalização e da leitura digital. Amanhã mesmo vou chegar em casa com outra visão do telefone. Vou buscar colocar em prática tudo o que aprendi aqui”, disse.
A estudante Alice Araújo também celebrou a oportunidade de aprendizado e destacou a importância de levar os conhecimentos adquiridos para sua família e comunidade indígena no interior de Sergipe.
“Pra mim foi uma experiência única, muito importante mesmo. Eu aprendi várias coisas aqui que, mesmo sendo jovem, ainda não conhecia. Vai ser ótimo quando eu puder levar esse conhecimento pra minha família”, relatou.

O líder religioso Pai Wagner agradeceu pela realização do projeto e destacou o impacto das atividades desenvolvidas na comunidade.
“Todos os atos que tiveram aqui nesses dois dias foram de grande relevância e aprendizado. Nesse momento meu sentimento é só gratidão. A mensagem que eu deixo é que continuemos essa luta para que a gente possa profissionalizar mais pessoas”, afirmou.
A professora titular da Ufal e secretária da SBPC Regional Alagoas, Rosaline Mota, explicou que a proposta do projeto vai além do acesso às ferramentas tecnológicas.
“Os objetivos do projeto estão relacionados a proporcionar capacitação em letramento digital, possibilitando uma transformação social real para as comunidades, sobretudo para as populações mais vulneráveis. No caso desta comunidade especificamente, significa o fortalecimento da identidade, da religiosidade e da profissão de fé das religiões de matriz africana”, destacou.
A vice-reitora da Ufal, Eliane Cavalcanti, ressaltou a importância da parceria entre as instituições envolvidas.
“Passamos dois dias aqui treinando e certificando a nossa comunidade, mostrando a importância de que boas parcerias trazem resultados importantes. Então, gratidão aos Anjos Digitais e à casa do meu pai”, declarou.
A CEO do Instituto Anjos Digitais, Rossana Moura, destacou que esta foi a primeira experiência do projeto voltada especificamente para comunidades de terreiro.
“Essa é a primeira vez que colocamos em prática o projeto ‘Terreiros Digitais’. Nós já trabalhamos com comunidades quilombolas e indígenas, mas não com terreiros de religião de matriz africana. Então, pra gente, é um marco muito importante. Certamente teremos outros projetos dessa natureza no Brasil, principalmente no Norte e Nordeste”, concluiu.
